Dublinenses é como uma grande colcha de retalhos: formado por quinze narrações rápidas (a grande maioria delas é composta por um máximo de cinco páginas), o livro inicia-se pela dissertação da visão de crianças acerca de situações variadas, seguindo-se progressivamente para o relato de jovens e, mais ao fim, de indivíduos maduros. Essa colcha é Dublin, capital Irlandesa, que recebe por Joyce uma possibilidade de caracterização, descrição, narração, formação, quem sabe, de uma certa identidade subjetivista. Há como manter certa distância dos contos, a meu ver é o efeito que Joyce quer alcançar, pois de fato os personagens não são profundamente explorados ou analisados: cada um deles apresenta momento catártico, espécie de iluminação súbita - Satori de Kerouac? - e devemos nos contentar com estas descrições puramente. Ao fim, de fragmento em fragmento, teremos o grande conjunto de Dublin, seu parecer em unidade, quem sabe o introdutor perfeito à obra do elegante Joyce.
(esse é meu primeiro livro dos seus, portanto, ainda não é meu irlandês favorito - nesta cadeira Wilde senta-se confortável e tranquilamente.)
Já li os Dublinenses há tanto tempo que pouco me recordo.
ResponderExcluirBOM NATAL