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sábado, 18 de junho de 2011

Como um pêndulo

Spinoza fez uma descrição da vida, ou de todas as coisas, a partir de uma base de racionalidade e de um método geométrico, sistematizado. Se pudesse repetir seu feito, assim o faria (em conteúdo, não em forma, são apenas os primeiros rascunhos de um pensamento em potencial...):

A vida reside no encontro de um ponto para equilibrar-se. Face a ela, podem-se adotar duas perspectivas: ou bem se está bambo, feito malabarista de dores que inutilmente se sustenta num pé só em fios cambaleantes, ou bem fundamenta-se um mecanismo para burlar a Náusea e afastar as dores: aprende-se a carregá-las durante o percurso até o fim desse eterno fio, a encará-las enquanto aliadas, não inimigas, deixá-las guardadas em si como parte funcional do corpo, como órgãos, que volta e meia são ativados quando necessários e que também são passíveis de falhas, e por oposição, de consertos. Essa talvez seja a minha beatitude pessoal, não sei bem se já posso assim chamá-la. 

A maior dificuldade de estendênda-la para além do domínio pessoal, é ser capaz de fazer conceber a imagem 
de si mesmo atravessando essa fina linha para outrem. Só é possível concebê-la a partir do entendimento da vida como uma sucessão, um conjunto de tristezas.Vez ou outra essa tristeza constante é ofuscada por lampejos de situações um pouco mais transcendentes, mas que duram curto período de tempo. Também não se pode tentar produzir essas situações para ignorar a existência vazia a qualquer custo, há ainda uma certa dose de espontaneidade  Logo depois a constância e a eternidade da infelicidade retornam, e é preciso aprender a lidar com ela.

A arte e proporcionaria essa transcendência à constância da tristeza. A elegância da solitude leva ao máximo de felicidade que somos capazes de alcançar. 


E não fui a primeira:

"A vida oscila, como um pêndulo, de um lado para o outro, entre a dor e o tédio."
(Schopenhauer)

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