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terça-feira, 26 de abril de 2011

Resumo

Regressa a costumeira repulsa
do "pós",
do "ex",
do findo.

Sigo calada, neste bloqueio que criei a mim
E que o compreende bem o clima:
desatando a chover.
O compreende bem a caligrafia:
desatando-se a si mesma em garranchos.
Não o compreende bem quem o deveria compreender.
E aí está a raiz da problemática: cortêmo-la.

Só preciso respirar,
descansar
parar e olhar em volta: manter-me paciente.
Dizer palavras no poema que me transmitam paz
[terapêuticas]
Palavras que eu possa reler centenas, milhares de vezes
e que em cada única vez, me façam tranquila.
Palavras de uma paciência que venho buscando impaciente.
 
Afasto-me do que provoca a ansiedade:
afasto-me da voz que transborda sons tão amargos
da mão que desdenha dos cravos
das coxas molhadas de todos os dias
[e noites]

Na verdade, o que há não é nem mesmo repulsa. não tenho energias
para me entristecer. Só para lamentar alguns versos
Talvez tudo que precise
Talvez só o que precise
é de um punhado tempo
"Só"

E cada vez que releio o poema,
tentando esquecer: aproximo
Só escrevo pra isso, no fundo
Para me lembrar de não esquecer de minhas dores
Para lembrar que ainda sinto nós interiores
Para lembrar que ainda sinto:
resumir. 

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