Regressa a costumeira repulsa
do "pós",
do "ex",
do findo.
Sigo calada, neste bloqueio que criei a mim
E que o compreende bem o clima:
desatando a chover.
O compreende bem a caligrafia:
desatando-se a si mesma em garranchos.
Não o compreende bem quem o deveria compreender.
E aí está a raiz da problemática: cortêmo-la.
Só preciso respirar,
descansar
parar e olhar em volta: manter-me paciente.
Dizer palavras no poema que me transmitam paz
[terapêuticas]
Palavras que eu possa reler centenas, milhares de vezes
e que em cada única vez, me façam tranquila.
Palavras de uma paciência que venho buscando impaciente.
Afasto-me do que provoca a ansiedade:
afasto-me da voz que transborda sons tão amargos
da mão que desdenha dos cravos
das coxas molhadas de todos os dias
[e noites]
Na verdade, o que há não é nem mesmo repulsa. não tenho energias
para me entristecer. Só para lamentar alguns versos
Talvez tudo que precise
Talvez só o que precise
é de um punhado tempo
"Só"
E cada vez que releio o poema,
tentando esquecer: aproximo
Só escrevo pra isso, no fundo
Para me lembrar de não esquecer de minhas dores
Para lembrar que ainda sinto nós interiores
Para lembrar que ainda sinto:
resumir.
Para lembrar que ainda sou
ResponderExcluire estou aqui.
(Felizmente!)