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domingo, 27 de março de 2011

Recepção


Para analisar um possível grupo de leitores em potencial, não se deve prender a questões puramente econômicas. Isso é, não se deve classificar leitores por condições em possíveis escalas e estratos sociais. Vale mais partir dos títulos, dos livros, dos objetos em si, para traçar um conjunto que seja mais plausível e livre de limitações a visões que partam desta ótica única.

Interessante é perceber algo nitidamente ignorado por mim e acredito que por muitos leitores compulsivos que ainda visitam este blog (e assim espero dar início a uma possível discussão sobre o tema): os efeitos observados nos leitores e consumidores de livros quando se alteram pequenos detalhes nas edições. Por exemplo: adicionar imagens a determinado texto, quebrar em mais parágrafos visando destruir certa fluidez, definir um vocabulário específico, alterar um título para ostentar uma frase mais chamativa, toda a arte envolvida na capa do exemplar... Essas tarefas definem um público em potencial. É preciso lembrar que o texto é algo abstrato e que só existe no momento de leitura, de conexão e comunicação. Mas nesta comunicação entrevem estes fatores que citei acima, que vão proporcionar uma leitura totalmente diversificada e leitores igualmente inesperados. (Aliás, uma pequena observação que depreendi na re³leitura destes breves parágrafos: as próprias livrarias com sua espacialidade, organização de estantes e cores específicas igualmente definem uma comunidade de leitores).

Não sei se da forma como abordei fez tudo parecer muito óbvio... Na verdade, quis fazer uma mera introdução a uma questão com que me deparei em meio a tantos textos novos na faculdade de Filosofia: Como fazer para popularizar textos clássicos? Como transpassar esse limite que há entre o popular e o acadêmico? Não dá para se restringir simplesmente a valores mais acessíveis... Muitas editoras diminuem preços, mas acabam por preservar versões porcas. Editoras essas que, inclusive, acho desnecessário aqui citar nomes por sua tamanha obviedade.   

Enfim, creio que seja estritamente necessário para tal estudar profundamente estas nuances que estão envolvidas na estética da recepção dos textos. Nisso, claramente observa-se que essa proposição econômica cai por terra. Porque não é única, já que não considera gênero, faixa etária e toda uma bagagem cultural intrínseca a uma comunidade de leitores. O leitor é completamente mutável e o mesmo se estende para as leituras que este vai proporcionar, que são infinitas.

Faltaram muitos detalhes e já estou cansada de revisar o texto tantas vezes... Espero ter sido suficientemente clara, hehe. 

1 observações:

  1. Foi clara, sim!

    Para mim, as obras clássicas sempre serão "clássicas", com a característica de não "ser popular". Claro, nem todas as obras clássicas são assim: vide Dom Quixote e Dom Casmurro (os "dons"!), que mantém, até hoje, um bom número de descobridores.

    Mas nada supera o apelo pastelão/mercadológico de uma obra que diz ao leitor as palavras meigas e carpideiras que ele quer ouvir.

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