"Atirador, quando compra vingança alheia
Tem que ter veneno na veia
Tem que saber andar num chão de navalha
Atirador tarda mas não falha
Atirador não tem dó quando atira
Atirador é o dublê de ira
Ele só sabe o nome, só viu o retrato
Alma sebosa é mais barato."
Pois fui eu quem atirou. E olhe que foi vingança bem paga, meu sinhô. Você sabe como é. Tenho três filhos pra criar. Moro lá em São Tomé. E tenho um dedo firme que só. Seu Justino era cabra de honra. Homi de fibra e de deus. Já mulher, como é coisa de satã, fingia que era de casa. Mas dava na rua prum tal de Mateus.
Mateus era moleque safado. Daqueles que roubam oferenda. Daqueles que vendem inté a mãe. Em troca de doce ou de prenda. O sinhô sabe como é dotô. Cabra desses desce direto pro inferno. Num pega nem elevador.
Então, quando Justino me bateu essa prosa. Num demorei nem dois segundos. Tratei de polir a arma, que revólver não tem misericórdia. E parti pra casa de Dona Maria Rosa. Com pressa e sem medo de matar. E assim que ela abriu a porta. Tratei de dizer logo o porquê. Da morte que a esperava. De vestido branco e buquê.
E meti-lhe uma bala no peito. À queima roupa que é pra ter certeza que ia entrar. Que matador num tem medo de sangue. Quanto mais de vagaba gritar. E parti de lá pra receber. Com muito orgulho no coração. O pagamento pela honra restituída. Um enorme pedaço de pão.
bem regionalista!
ResponderExcluirgostei, gostei!
Simplesmente genial, Mariana!
ResponderExcluirque incrível!
ResponderExcluirMuito bom,Mari. Adorei!
ResponderExcluirAtirar, sem falhar. bfds
ResponderExcluirVocê já é mestra, Mari.
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