Ladies

Pra ser pontual

argh (3) bla (13) bla. (15) citação (3) conto (32) crítica (5) diário (10) débil (9) espanhol (1) etc (1) filmes (1) filosofia (2) fotografia (1) imagem (1) inglês (1) joyce (1) letras (2) madrugada. (1) mari (50) mel (141) mel. (4) memória coletiva (1) mudança (1) música (4) poema (99) poema. (2) prosa (18) que? (2) resenha (2) sóbrio (2) trechos (4) vídeos (3) what? (5)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

atirador

"Atirador, quando compra vingança alheia
Tem que ter veneno na veia
Tem que saber andar num chão de navalha
Atirador tarda mas não falha
Atirador não tem dó quando atira
Atirador é o dublê de ira
Ele só sabe o nome, só viu o retrato
Alma sebosa é mais barato."


Pois fui eu quem atirou. E olhe que foi vingança bem paga, meu sinhô. Você sabe como é. Tenho três filhos pra criar. Moro lá em São Tomé. E tenho um dedo firme que só. Seu Justino era cabra de honra. Homi de fibra e de deus. Já mulher, como é coisa de satã, fingia que era de casa. Mas dava na rua prum tal de Mateus.
Mateus era moleque safado. Daqueles que roubam oferenda. Daqueles que vendem inté a mãe. Em troca de doce ou de prenda. O sinhô sabe como é dotô. Cabra desses desce direto pro inferno. Num pega nem elevador.
Então, quando Justino me bateu essa prosa. Num demorei nem dois segundos. Tratei de polir a arma, que revólver não tem misericórdia. E parti pra casa de Dona Maria Rosa. Com pressa e sem medo de matar. E assim que ela abriu a porta. Tratei de dizer logo o porquê. Da morte que a esperava. De vestido branco e buquê.
E meti-lhe uma bala no peito. À queima roupa que é pra ter certeza que ia entrar. Que matador num tem medo de sangue. Quanto mais de vagaba gritar. E parti de lá pra receber. Com muito orgulho no coração. O pagamento pela honra restituída. Um enorme pedaço de pão.

6 observações: