Lendo “A insustentável leveza do ser”, um ponto em especial tem me irritado freqüentemente. Será que Kundera não poderia, por um capítulo sequer, parar de entregar todos os pontos tão facilmente? Seu livro é cheio de profundidade, mas o autor parece insistir em nos explicar detalhadamente todas as metáforas, todos os simbolismos, dissipando o encanto proporcionado pela leitura de uma boa obra. A narrativa parece agora cair no óbvio, e as relações com o passado dos personagens, cada vez mais forçadas. Boa história, boa construção, linguagem competente. Obviedade dispensável, lamentavelmente.
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
sábado, 25 de dezembro de 2010
Ainda
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
??
CPF, Identidade, Número da chamada, número de inscrição, CEP, Número da casa , Nota , Telefone, Idade, senha, número do cartão, quanto dinheiro você tem na carteira?, Quantos namorados?, Quantos ex-namorados?, quantas viagens?, Quantas faculdades?, Quantos amigos no Orkut/facebook?, Quantos seguidores no twitter?, quantos livros?, Quanto é 2 + 2?, quantas horas, quanto você ganha por mês?, qual o custo desse vestido?, desse celular?, qual o custo do libido?, quantas casas você tem?, quantos quartos tem sua casa?, quantos cachorros, quantos amores, quantos talheres, quantos ventiladores, quantos computadores, quanta palhaçada, quantos rótulos, quanta matemática...
E você ainda tem dúvida de que é um número?
reflexão de banheiro público
Curioso é perceber o poder de uma pequena escolha. Suas projeções para o futuro, suas infinitas possibilidades de arrumação (Efeito borboleta?). Esse ano precisei fazer muitas delas, mudando de opinião muitas vezes, inclusive. Se agora tenho certeza de que escolhi a melhor dentre elas? Não, apenas escolhi, e esse é o ponto mais sacana da vida. Não há base de comparação para sabermos se foi a melhor decisão. Apenas sabemos que foi, e esperaremos para saber no que implicará. A grande chave talvez seja se arrepender menos. Ou perceber que ainda há chance de mudar com novas escolhas no caso de uma insatisfação, por mais tortuoso que tenha sido o caminho ou por mais radical que possa se tornar uma nova mudança. Mudar nunca é fácil, acho que sempre é doloroso. Mas mudar é apenas mudar, sem dicotomias, sem certo ou errado, sem melhor nem pior. Mudar e fazer escolhas são o que são em suas pequeninas, sacanas e distintas essências.
bacharel
Oficialmente formada pelo Colégio Pedro II. Agora faço parte do seleto grupo com o título de 'Bacharel em Ciências e Letras'. O título, tal qual a Bastilha, funciona como grande símbolo de uma grande transição. O orgulho não é por ser um belo nome que enfeiterá o currículo. É um belo nome que sintetiza todos os maravilhosos últimos três anos passados na instituição. Não quero aqui gastar meu vocabulário, isso já foi feito em demasia na cerimônia da última noite. Mas como o título de bacharel, queria que este post servisse como emblema, como símbolo, para que eu possa olhá-lo mais vezes e trazer a mente lembranças calorosas dos últimos calorosos e magníficos 3 anos. Obrigada a vocês que proporcionaram isso.
domingo, 12 de dezembro de 2010
2h30min
Sim, eu estou aqui às exatas 2h13min de uma madrugada fresca e silenciosa escrevendo sobre cotidianos estéreis (viciei nessa expressão), até que resolvo puxar um livro do Kerouac na estante, e eis que me deparo com as seguintes palavras:
"... a história que é contada por nenhum outro motivo a não ser companheirismo, que é outra definição (e a minha favorita) de literatura, a história que é contada pelo companheirismo e para ensinar algo religioso, ou reverência religiosa, sobre a vida real, nesse mundo real que a literatura deveria refletir (e aqui o faz).
Em outras palavras, e depois disso vou calar a boca, histórias e romances invetados sobre o que aconteceria SE são para crianças e adultos cretinos que têm medo de ler sobre si mesmos em um livro assim como teriam medo de olhar no espelho quando estivessem doentes ou feridos ou de ressaca ou insanos. "
Satori em Pariz, Jack Kerouac.
Das duas, uma: ou as coincidências entre minhas idéias e os textos estão cada vez mais evidentes e se aflorando aleatoriamente (eu que não havia prestado atenção antes), ou realmente estou doida e cheia de sono, o que faz com que enxergue links aparentes entre os textos, quando na verdade não há relação direta/ razoável alguma!
E pra finalizar, trecho de um filme que adoro e não preciso falar que é recomendadíssimo:
(infelizmente não achei o vídeo legendado!)
Ah, e o nome do filme é "Waking Life".
"... a história que é contada por nenhum outro motivo a não ser companheirismo, que é outra definição (e a minha favorita) de literatura, a história que é contada pelo companheirismo e para ensinar algo religioso, ou reverência religiosa, sobre a vida real, nesse mundo real que a literatura deveria refletir (e aqui o faz).
Em outras palavras, e depois disso vou calar a boca, histórias e romances invetados sobre o que aconteceria SE são para crianças e adultos cretinos que têm medo de ler sobre si mesmos em um livro assim como teriam medo de olhar no espelho quando estivessem doentes ou feridos ou de ressaca ou insanos. "
Satori em Pariz, Jack Kerouac.
Das duas, uma: ou as coincidências entre minhas idéias e os textos estão cada vez mais evidentes e se aflorando aleatoriamente (eu que não havia prestado atenção antes), ou realmente estou doida e cheia de sono, o que faz com que enxergue links aparentes entre os textos, quando na verdade não há relação direta/ razoável alguma!
E pra finalizar, trecho de um filme que adoro e não preciso falar que é recomendadíssimo:
(infelizmente não achei o vídeo legendado!)
Ah, e o nome do filme é "Waking Life".
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que?
Desde então
Desde então, todas as noites
Ela o obriga a dividir a cama
Para que juntos, possam curar a solidão que sua
Ida deixou nos corações de ambos.
E cada vez mais eu escrevo
Marginalizando meus próprios textos
Subversivos demais até para mim mesmo
Escondendo em gavetas obscuras em cantos
Quadráticos da casa
Em paredes em janelas
(textos surgem quando você assopra o vidro)
Sigo escondendo as palavras de mim mesmo porque
Elas ferem
Sigo escrevendo sem reler e sem publicar
Não sou eu ali?
Um texto existe somente no momento em que é escrito
E depois lido
Depois, de cada palavra tola eu preciso instantaneamente
Livrar-me
Do peso horroroso que é contemplar cada mísera parte podre
De mim mesma em palavras...
eternizadas e escancaradas
e sem final.
(pela terceira vez, quase desisti de publicar)
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Continuação...
XI - Deixa o verão pra mais tarde
Eu passo os dias procrastinando e prometendo coisas a mim mesma para depois ver-me cheia de tarefas não cumpridas. Chego a casa e logo penso em capotar na cama, nem almoço eu faço, nem livro eu consigo ler. Se acordo depois de capotar, levanto os olhos ao teto ocre e vazio do quarto e penso na minha infinidade de possibilidades, na minha tão igualmente infinita indisposição. Alguém surge de repente como que objetivando desestruturar essa minha pseudo-paz de espírito, mas não consigo entender sua fala... Esse calor aos poucos vai torrando minha pele, vai torrando meu cabelo, vai torrando meus neurônios. Estou perdida dentro de mim mesma, com o mundo interiorizado, nada que vocês digam faz mais sentido aqui dentro. Só queria algumas semanas pra poder simplesmente me dar o direito de não fazer NADA.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Impressões sobre uma realidade débil
IV - Zunido
Andar por estas calçadas febris sem fones de ouvido tem sido a maior tortura, superando o odor do cigarro, a luta pelo silêncio, o desejo forte por seu colo. E se hoje ataca uma dor de cabeça visceral, se hoje minha coluna parece se entortar a cada pernoitada neste colchão estéril, se meus pés já não agüentam o peso de meu corpo, exibindo aos poucos seus ossos à atmosfera, toda essa dor física e psicológica é atenuada pela abstinência de sons. Dizem que sem música a vida seria um erro. E é.
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