uma nova fase de escritos necessita de um novo blog para servir de reduto. é com certa nostalgia que anuncio a mudança de endereço para um blog próprio, cujo link vocês podem acessar abaixo:
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segunda-feira, 5 de março de 2012
domingo, 12 de fevereiro de 2012
#1
"The coward does it with a kiss,
The brave man with a sword!"
Wilde.
Eu preciso de motivos tolos para
Chorar por você
Não há problema se não houverem:
para isso, conto amigavelmente com
meu poderoso dispositivo imaginário.
Depois do fim,
Eu necessito sustentar as lembranças
com ódio mortal.
Fazer do não-olhar
[Evitar]
A única condição de sobrevivência possível
Pois, sou fraca
Como esta folha seca que trago à mão
E a mim, não foram concedidas
as excepcionais habilidades
de lidar com o
desamor.
Inconscientemente ou não
Torço para que sofras tanto quanto
eu sofri.
Não se pode quebrar o contrato,
A promessa do infinito e da eternidade,
Sem sair dela impune.
Não sou capaz de desejar o melhor
Nem nisso consigo acreditar, sequer
Quero-o afastado
Porém, quero-o saudoso,
nostálgico e doloroso, em igual proporção.
Ao fim e ao cabo, a eternidade é ser,
ao outro,
inolvidável.
Dos fatos, memórias se fazem
Quiçá, somente o presente exista
Quando eu me for, por mim, sofra!
Por respeito ou mesmo por dor
Mas, sofra.
E disso gostarei de saber
É cruel, mas somos nós
E sob pilares tão cruéis quanto
Erguemos amor
Que sobre ao menos a cal branca
e áspera das vigas;
E que ela te importune o sono
Todas as noites, madrugadas febris
[tal qual a mim importunou]
Se juntos não podemos sofrer
Que soframos!
Apartados.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Nocturne No. 2 (Op.15)
Sob estes lençóis que não são meus
tampouco seus
uma tarde inteira pela frente;
uma vida inteira, também.
Somos guiados por sons
meus movimentos os correspondem
meus gritos, os escondem
nosso amor ali se fez
Da bagunça que ficou
Tenho só o retrato físico-mental
Aqui, num fluxo, internamente me organizo
Como há tanto gostaria,
Como há tanto precisara
Agora, tudo em mim lhe pertence
Em desespero,
peso,
e totalidade.
A ti, toda saudade que no mundo cabe,
P.
tampouco seus
uma tarde inteira pela frente;
uma vida inteira, também.
Somos guiados por sons
meus movimentos os correspondem
meus gritos, os escondem
nosso amor ali se fez
Da bagunça que ficou
Tenho só o retrato físico-mental
Aqui, num fluxo, internamente me organizo
Como há tanto gostaria,
Como há tanto precisara
Agora, tudo em mim lhe pertence
Em desespero,
peso,
e totalidade.
A ti, toda saudade que no mundo cabe,
P.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Dublin(enses)
Dublinenses é como uma grande colcha de retalhos: formado por quinze narrações rápidas (a grande maioria delas é composta por um máximo de cinco páginas), o livro inicia-se pela dissertação da visão de crianças acerca de situações variadas, seguindo-se progressivamente para o relato de jovens e, mais ao fim, de indivíduos maduros. Essa colcha é Dublin, capital Irlandesa, que recebe por Joyce uma possibilidade de caracterização, descrição, narração, formação, quem sabe, de uma certa identidade subjetivista. Há como manter certa distância dos contos, a meu ver é o efeito que Joyce quer alcançar, pois de fato os personagens não são profundamente explorados ou analisados: cada um deles apresenta momento catártico, espécie de iluminação súbita - Satori de Kerouac? - e devemos nos contentar com estas descrições puramente. Ao fim, de fragmento em fragmento, teremos o grande conjunto de Dublin, seu parecer em unidade, quem sabe o introdutor perfeito à obra do elegante Joyce.
(esse é meu primeiro livro dos seus, portanto, ainda não é meu irlandês favorito - nesta cadeira Wilde senta-se confortável e tranquilamente.)
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