sábado, 21 de novembro de 2009

o banco.

O banco de madeira era um palco áspero. Para os silêncios que se trocavam entre farpas e raros afagos. Quem sabe o amor, com suas flechas de Thanatos ao acaso não houvesse ceifado do peito da moça qualquer resquício de afeto puro pelo rapaz?Quem sabe o cruel lavrador de amores houvesse tornado árido o antes fértil e vasto reino sanguíneo pulsante do jovem moço?
Talvez fosse o banco, o banco com suas farpas. Talvez fosse o banco, com sua madeira antiga a não suportar o peso das tristes horas em que os dois transitavam mentalmente por sobre os ventos ardis do ressentimento contido à força. Talvez fossem as imagens frescas do cinema provinciano de cidade média que pensa ser grande as causadoras daqueles agonizantes quinze centímetros que separavam seus frígidos corpos juvenis.
Porém, fato era que, apesar da repulsão física que ambos possuíam um pelo outro - e talvez cada um por si mesmo - havia ali, naquele velho banco de madeira, um insuportável e incontível amor de alma.
De tão indescritível e abstrato, inventavam para si mesmos contos de fadas onde sua excêntrica história coubesse, em vão. Aquele amor indizível doía no peito como bela flor madura a pender de uma árvore seca e muda.
E o banco, de tão exausto e frágil, tornou-se desconfortável, fazendo cessar a vaga prosa de cinema mudo dos dois amigos, que se levantaram na leveza de algo que flutua, em busca de um café que os tornasse mais humanos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

para esconder o vazio, um pouco de terra...


sábado, 14 de novembro de 2009

Just like a woman

Depois de sua grande peça

nós fomos jantar e você

perguntou se era agradável

lhe ver dançar.

Disse que seus passos leves e lentos

transformavam sua beleza

em beleza de mulher.

Mas aí, então,

você tornou-se desgostosa,

magoada pelo simples fato de

estar feliz. E chorou em meu colo,

pingou sentimentos por meu rosto e

paletó inteiro! E eu estava lá, abobalhado

com seus gestos de mocinha,

quando havia sido toda minha

no palco naquela noite. 

Era sua dança o real espetáculo?

Pois, veja

o pranto não passa de continuação:

vendido a ingresso barato!

E que deixa resquícios pelo chão

aos espectadores ingratos.

Perdoe-me, mas gosto de tê-la assim!

Quero suas variações de humor

Só para mim!

Quero rir de dor

ao te ver saboreando

seu doce e cotidiano

dissabor. 

Ainda que estes versos sejam fatídicos

demais para ti, minha doce insensata 

bailarina,

o que amo em ti, é teu

jeito de menina, que acolhi

de braços estendidos em brando

calor. 

sábado, 7 de novembro de 2009

Pranto

Encantada aquela menina

e seu vestido de flor

rodava cantarolando as canções

de amor dos prantos alheios... 

Entretanto, seu próprio pranto

não conhecia.

Por isso ria dos desgraçados nas ruas.

E em suas peles frias, resplandecia

as carnes cruas de abandono...

Oh, doce inocência!

Serás em breve arrancada de

sua terna efervescência?

Pois a minha, a nossa, foi-se

há tanto! E não sobrou mais

pranto, pois o sol secou

as lágrimas de sal

que o amor nos ofertou.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Noche tranquila

El cielo me parece tan

agotado ahora.

Se olvidó de iluminar mi 

vida, hace economia de

lámparas, tendré una noche

sola y no tranquila hoy.